Mulheres bem-sucedidas ainda aceitam afetos rasos? Especialista explica por que sucesso profissional não garante segurança emocional
BY Oscar Muller
17 de Julho, 2026
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Sexóloga e especialista em comportamento humano, Lícia Arantes afirma que a competência construída na vida profissional não substitui a construção da segurança afetiva, e alerta para padrões emocionais que mantêm muitas mulheres em relações insuficientes
Por Lícia Arantes
Ser bem-sucedida na carreira, conquistar independência financeira e ocupar posições de liderança não significa, necessariamente, desenvolver segurança emocional para construir relacionamentos saudáveis. Essa é a reflexão proposta pela especialista em comportamento humano Lícia Arantes, que analisa por que tantas mulheres altamente competentes ainda permanecem em vínculos afetivos marcados pela superficialidade e pela falta de reciprocidade.
Segundo a especialista, o sucesso profissional e a maturidade emocional são competências desenvolvidas em ambientes completamente diferentes. Enquanto o mercado recompensa desempenho, produtividade e resultados, a segurança emocional é construída a partir de experiências de acolhimento, previsibilidade, validação e pertencimento.
“A competência profissional pode ser aprendida e aperfeiçoada ao longo da vida. Já a segurança emocional nasce das experiências que temos desde a infância sobre amor, proteção e vínculo. São processos distintos e que não caminham, necessariamente, lado a lado”, explica Lícia.
De acordo com a especialista, é comum encontrar mulheres que administram empresas, lideram equipes e enfrentam desafios complexos com excelência, mas que, na vida afetiva, permanecem presas a relações emocionalmente insuficientes.
Ela destaca que a neurociência do apego ajuda a compreender esse fenômeno. O cérebro humano tende a buscar aquilo que lhe é familiar, ainda que essa familiaridade esteja associada à ausência, à instabilidade ou à validação intermitente.
“Nossa mente não procura apenas aquilo que nos faz bem. Ela procura aquilo que reconhece como conhecido. Muitas mulheres não escolhem seus parceiros pela qualidade da relação, mas pela sensação inconsciente de familiaridade emocional que aquele vínculo desperta”, afirma.
Lícia ressalta que essa dinâmica não está relacionada à falta de inteligência ou de autoestima, mas aos padrões emocionais construídos ao longo da vida.
Outro comportamento frequentemente observado, segundo ela, é a chamada hiperfuncionalidade emocional. Mulheres acostumadas a resolver problemas, cuidar de todos ao redor e manter tudo sob controle acabam transferindo esse padrão também para os relacionamentos.
“Eles passam a acreditar, mesmo sem perceber, que o amor precisa ser conquistado através do esforço constante. Tornam-se excelentes solucionadoras, mas, muitas vezes, nunca aprenderam que um relacionamento saudável também é um lugar de descanso emocional”, observa.
Para a especialista, a verdadeira maturidade afetiva acontece quando a mulher deixa de confundir intensidade com amor e passa a reconhecer que relações saudáveis não exigem vigilância permanente, interpretações excessivas ou renúncia da própria identidade.
“Existe um momento em que a mulher compreende que o amor não deve ativar mecanismos de sobrevivência. O amor maduro não exige provas constantes de valor, nem obriga alguém a diminuir sua própria essência para permanecer. Ele simplesmente reconhece o valor que já existe. A maior conquista emocional acontece quando desenvolvemos uma segurança interna tão sólida que aquilo que é insuficiente deixa, naturalmente, de parecer atraente”, conclui Lícia Arantes.
A especialista reforça que a qualidade dos relacionamentos não depende apenas das pessoas que cruzam o caminho de cada um, mas também das crenças internas sobre pertencimento, merecimento e amor. Segundo ela, nenhuma conquista profissional é capaz de substituir a tranquilidade proporcionada por vínculos saudáveis e emocionalmente seguros.
Para Lícia Arantes, o verdadeiro sucesso é aquele que permite à mulher reconhecer que pertencimento não precisa ser conquistado por meio do esforço contínuo, mas vivido com leveza, reciprocidade e autenticidade.
Coluna:Entre Emoções & Escolhas
Lícia Arantes
Sexóloga • Especialista em Relacionamentos Terapeuta Cognitivo-Comportamental | Terapia dos Esquemas