Renato Luciano: um artista plural que atravessa o Brasil entre a música, o teatro e o audiovisual
BY Oscar Muller
17 de Agosto, 2026
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Ator, cantor, compositor e artista multifacetado consolida trajetória marcada pela diversidade, pela poesia e pelo diálogo entre diferentes linguagens, enquanto prepara novos projetos para os palcos brasileiros
Renato Luciano construiu uma carreira que desafia fronteiras entre música, teatro, televisão e cinema. Mineiro de Visconde do Rio Branco, o artista vem ampliando sua presença no cenário cultural brasileiro com trabalhos que unem interpretação, música, poesia e reflexões sobre diversidade, respeito, pertencimento e questões ambientais.
Conhecido mais recentemente por sua participação em Quem Ama Cuida, Renato interpretou o motorista de Pilar, personagem vivida por Isabel Teixeira. Mesmo em uma participação pontual, o personagem esteve envolvido em acontecimentos importantes da trama, auxiliando Pilar em situações decisivas para o afastamento de Adriana e Pedro, interpretados por Letícia Colin e Chay Suede.
Para Renato, a experiência também ficou marcada pela oportunidade de contracenar com Isabel Teixeira.
“Trabalhar com a Isabel é um prazer imenso. A experiência de fazer esse personagem foi incrível. Ela é uma atriz incrivelmente talentosa e proporcionalmente generosa. Foi uma alegria imensa dividir a cena com ela”, destaca Renato Luciano.
Uma trajetória construída em diferentes linguagens
A televisão é apenas uma das vertentes da carreira do artista. Renato também participou de Êta Mundo Melhor!, além de desenvolver uma trajetória no cinema, no streaming e em outras produções audiovisuais.
Em 2024, integrou o elenco do curta-metragem A Saga, dirigido por Dayse Amaral. Em 2020, interpretou Iran na série Os Últimos Dias de Gilda, dirigida por Gustavo Pizzi. No cinema, também participou dos longas Leo e Bia e Solidões, de Oswaldo Montenegro.
Nos palcos, Renato possui uma relação ainda mais profunda com as artes cênicas. É fundador da premiada Companhia Barca dos Corações Partidos, grupo do qual integrou o elenco durante dez anos. Ao longo dessa trajetória, trabalhou com importantes nomes do teatro brasileiro, entre eles João Falcão, Luiz Carlos Vasconcelos, Bia Lessa, Duda Maia e André Paes Leme.
O trabalho desenvolvido nesse período rendeu reconhecimento da crítica e do público, além de indicações de Renato a premiações como APTR e Cesgranrio.
Em julho, o artista esteve em cartaz na nova montagem de O Pequenino Grão de Areia, escrita e encenada por João Falcão no Centro Cultural SESI Paulista. Depois de uma breve pausa, a produção segue em circulação por cidades do interior paulista até novembro de 2026.
Música como instrumento de diversidade e transformação
Na música, Renato Luciano também apresenta uma produção consistente. O artista possui três álbuns lançados — Seu Novo Par, De Toda Cor e Turista do Mundo — além do EP Pra Dançar com a Vassoura.
Entre seus projetos de maior repercussão está De Toda Cor, trabalho dedicado à valorização da diversidade e que reuniu participações de nomes como Ney Matogrosso, Paulinho Moska, Oswaldo Montenegro, Elisa Lucinda, Pedro Luís, Emílio Dantas e Léo Pinheiro.
A música ganhou ainda mais projeção ao integrar a trilha sonora da novela A Força do Querer e passou a ser utilizada em iniciativas culturais e pedagógicas relacionadas ao respeito às diferenças.
Renato considera essa repercussão uma das experiências mais significativas de sua carreira.
“A canção ainda é cantada no Brasil todo. Foi um marco histórico ter uma personagem trans na TV e uma honra ter minha música como tema de um assunto tão atual, que deve de fato ser abordado com o devido cuidado. Sempre fui a favor do respeito a toda e qualquer diferença”, afirma.
“Tempo das Flores” abre uma nova fase
Em 2025, Renato lançou o single Tempo das Flores, acompanhado de videoclipe. A composição aborda as relações humanas, a natureza e a esperança e acabou dando origem a um espetáculo musical.
O show Tempo das Flores estreia nacionalmente no dia 21 de agosto de 2026, dentro da programação da Mostra Sesc Cariri de Culturas, na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Ceará.
A proposta reúne músicas autorais, poesia e reflexões sobre meio ambiente, pertencimento, diversidade cultural e a relação do ser humano com a natureza, reafirmando uma característica presente em diferentes momentos da produção de Renato: utilizar a arte não apenas como entretenimento, mas também como espaço de diálogo.
Outra parceria artística de destaque nasceu ao lado do ator e cantor Rainer Cadete. Juntos, desenvolveram o projeto Leves e Reflexivas, unindo música, poesia e conversas sobre afetos, memória e cotidiano.
“Rainer é um amigo que conheci durante a pandemia. Ele demonstrou interesse em compor e cantar. Ele conhecia minha canção ‘De Toda Cor’ e iniciamos um projeto chamado ‘Leves e Reflexivas’, que resultou num disco homônimo de oito faixas”, conta Renato.
Arte, estudo e consciência
A formação também ocupa posição central na visão artística de Renato Luciano. Ele estudou na Universidade de Música Popular Bituca, em Barbacena, Minas Gerais, instituição apadrinhada por Milton Nascimento e reconhecida pela formação de artistas ligados à música brasileira contemporânea.
Para Renato, talento e sensibilidade precisam caminhar ao lado da preparação e do conhecimento. É justamente nessa combinação que ele encontra ferramentas para transformar ideias e sentimentos em personagens, músicas e espetáculos.
“Estudar é extremamente importante. Ter o máximo de consciência sobre a arte que você executa é de suma importância para criar ferramentas para fazer a magia acontecer: seja contar uma história através de uma personagem, criar sensações através da música ou mesmo expor uma ideia política através de uma canção.”
O artista também ressalta que a atuação exige dedicação permanente ao texto e à construção de cada personagem. Mas é quando sua obra ultrapassa os palcos e chega ao cotidiano das pessoas que Renato percebe de maneira mais concreta a dimensão social da arte.
“O mais próximo que chego da ‘revolução’ é quando vejo crianças cantando versos que criei, como ‘passarinho de toda cor, gente de toda cor. Amarelo, rosa e azul. Me aceita como eu sou’. São os óculos do respeito sendo colocados na sociedade”, conclui.
Com uma trajetória construída entre personagens, canções, espetáculos e encontros, Renato Luciano reafirma seu perfil de artista plural. Seja diante das câmeras, nos palcos ou através da música, sua produção segue conectada a uma mesma essência: contar histórias, provocar reflexão e utilizar a arte como instrumento de aproximação entre pessoas, culturas e diferenças.