Projeto social de Sapucaia do Sul, criado por Wagner Zamberlei e Andréia de Paz, ultrapassa nove anos de história levando esporte, inclusão e oportunidades para crianças, jovens e adultos da comunidade
Por: Oscar Müller
Em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, um campo de futebol se tornou o ponto de partida para uma grande transformação social. O que começou como uma simples reunião de amigos para “jogar bola” cresceu e se consolidou como o Projeto Escola Solidária dos Guerreiros, idealizado por Wágner Zamberlei e Andréia de Paz. Há mais de nove anos, o casal tem dedicado tempo, recursos e afeto para promover inclusão, esporte e cidadania no bairro Vargas e em outras cidades gaúchas.

“A gente nasceu e cresceu aqui, conhecendo as dificuldades da periferia. Um dia percebemos que não dava mais pra só assistir. Precisávamos agir”, lembra Wágner, emocionado.
O projeto nasceu da paixão pelo futebol e do desejo de criar um ambiente seguro e acolhedor para as crianças e adolescentes do bairro. No início, os treinos reuniam apenas alguns vizinhos e amigos do filho do casal. Mas, com o tempo, a procura aumentou — e o que era uma pelada de fim de semana virou uma escolinha de futebol que já atendeu mais de 300 crianças.

“O futebol foi só o começo. Logo entendemos que, mais do que jogar, o que as crianças buscavam era pertencimento, atenção e cuidado”, conta Andréia.
Entre os momentos marcantes da trajetória do projeto, Wágner recorda, com voz embargada, o dia em que um menino com paralisia entrou em campo como goleiro.
“A alegria dele contagiou todo mundo. Colegas, adversários, torcida… foi uma lição sobre superação e inclusão que ninguém ali vai esquecer”, diz.
Além do esporte, o Projeto Escola Solidária dos Guerreiros expandiu suas ações. Hoje, oferece cursos de cabeleireiro, barbeiro e reforço escolar no contraturno, beneficiando pessoas de 10 a 60 anos. O grupo também organiza eventos em datas festivas e participa de iniciativas como o “Sorriso nos Hospitais”, que leva alegria e autoestima a crianças internadas, e o movimento “Heróis do Bem”, que anima ações solidárias em comunidades carentes.

Em Sapucaia do Sul, os trabalhos contam com o apoio de Robert Gonçalves, Filipe Martins, Wagner Júnior, Cleber Teles, Cleomar Bandeira e Ester Bandeira. Em Esteio, a coordenação fica por conta de Bruno e Vitória Becker, e em Caxias do Sul, de José Antônio.
A iniciativa também acolhe adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, encaminhados pela Secretaria de Assistência e Proteção Social. Eles ajudam na organização das atividades e encontram, no convívio e nas responsabilidades, uma nova chance de recomeço.

Outro aspecto essencial é a alimentação: muitos dos participantes chegam aos treinos sem terem feito uma refeição. Com doações e recursos próprios, os idealizadores garantem lanches e refeições durante as atividades.
“Pode parecer pouco, mas para muita gente aquele lanche é o primeiro do dia. É alimento para o corpo e para a alma”, destaca Andréia.
Hoje, o projeto estima ter impactado mais de mil pessoas diretamente. Mas, para Wagner e Andréia, o número é apenas um reflexo do que realmente importa: as histórias de transformação que brotam a cada nova ação.

“O que nos move é ver a esperança renascer. Juntos, somos mais fortes e podemos ir mais longe”, resume Wagner.
Projeto Escola Solidária dos Guerreiros
@guerreiros_sapucaia_oficial

