Número de brasileiros morando na Itália atinge recorde histórico
BY Oscar Muller
23 de Janeiro, 2026
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O número de brasileiros que vivem na Itália nunca foi tão alto. Em 2024, 68.841 brasileiros obtiveram o reconhecimento da cidadania italiana, o maior volume já registrado. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística da Itália (ISTAT). Embora os números oficiais de 2025 ainda não tenham sido consolidados, a expectativa é de um novo recorde.
Segundo o levantamento, paulistas lideram o ranking, seguidos por mineiros e cariocas. O crescimento está diretamente ligado à demanda do mercado de trabalho italiano, especialmente no setor da saúde.
“O aumento da presença brasileira na Itália está fortemente relacionado à chegada de jovens médicos e enfermeiros. Desde a pandemia, o país enfrenta uma grave escassez de profissionais da saúde, o que levou à ampliação da contratação de estrangeiros, principalmente brasileiros”, afirma Jacopo Mauri, diretor da Golden Star Consulting, empresa italiana especializada em reconhecimento de cidadania e validação de títulos acadêmicos e profissionais.
Jacopo Mauri e Flávia Galvão posam no Hotel Fairmont, onde ele se hospedou
A procura é tão intensa que Mauri precisou vir ao Brasil no fim do ano passado para uma série de reuniões estratégicas. Recentemente, a empresa abriu uma filial no Rio de Janeiro para atender à crescente demanda. De acordo com dados do Trading Economics, o sistema de saúde italiano opera hoje com um déficit estimado de65 mil trabalhadores.
Os salários são um dos principais atrativos
“Médicos chegam a ganhar, em média, € 7 mil por mês, o equivalente a cerca de R$ 45 mil na cotação atual”, explica Mauri, direto de Milão, onde reside.
Enfermeiros podem receber cerca de€ 4.500 mensais (aproximadamenteR$ 30 mil), enquanto técnicos de enfermagem ganham em torno de€ 1.800 (R$ 12 mil).
Além da remuneração, pesam na decisão fatores como segurança, qualidade de vida e um regime tributário mais vantajoso, conhecido como regime de alíquota fixa. Outro diferencial é a agilidade nos processos de validação profissional.
“Além do reconhecimento da cidadania, cuidamos também da validação de diplomas, o que permite que esses profissionais comecem a trabalhar em um curto espaço de tempo”, ressalta.
Apesar do cenário favorável, Mauri alerta para os prazos legais.
“O decreto que permite a conversão provisória de títulos, com trâmites acelerados, é válido até 31 de dezembro de 2027”, explica.
Segundo ele, a medida faz parte das exceções previstas no decreto-lei 18/2020 (Cura Italia), criado durante a pandemia.
“A boa notícia é que esse tipo de norma tem histórico de prorrogações e já foi estendido para diversos setores”, conclui.