Alexandre Canhoni une arte, fé e ação social em trajetória dedicada à transformação humana
BY Oscar Muller
9 de Janeiro, 2026
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O casal Alexandre e Giovana Canhoni
Artista multifacetado, Alexandre Canhoni construiu uma trajetória marcada pela união entre arte, fé e ação social. Músico, compositor, missionário e palestrante, ele iniciou a carreira ainda na infância, quando integrou o grupo dos Paquitos do programa Xou da Xuxa, da Rede Globo. Durante quatro anos, participou de gravações do programa, turnês nacionais e internacionais, além de produções cinematográficas.
Com o passar do tempo, Alexandre direcionou sua atuação para um propósito ainda mais amplo, integrando suas experiências artísticas a uma missão social transformadora. Fundador da ONG AGD, ele idealizou e implementou um projeto humanitário no Níger, que atua há mais de 20 anos no resgate e cuidado de crianças em situação de extrema vulnerabilidade.
Atualmente, o projeto AGD Níger atende cerca de mil crianças diariamente, oferecendo programas de alimentação, escolarização, cuidados de saúde e atividades recreativas. A iniciativa se destaca em um dos contextos sociais mais desafiadores do mundo, já que o país ocupa a última posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ao todo, são 11 projetos de nutrição, quatro creches, programas educacionais, dois ateliês de formação para mulheres, além de ações de capelania hospitalar e prisional.
Para Alexandre Canhoni, educação e nutrição são pilares fundamentais para a transformação social. “Acreditamos que cuidar do presente dessas crianças é também garantir um futuro diferente. Educação e alimentação não são assistencialismo, são ferramentas de mudança real”, afirma.
Alexandre e Giovana Canhoni
Com formação em Bacharelado em Teologia, Alexandre alia o conhecimento acadêmico à prática do apoio espiritual. Ele é formado em capelania no Brasil e nos Estados Unidos, atua em hospitais e prisões, é socorrista em emergências e também exerce a função de juiz de paz no Brasil, promovendo a harmonia e a união comunitária.
Além de sua atuação no Brasil e no Níger, Alexandre Canhoni já esteve em mais de 80 países como palestrante motivacional, compartilhando seu testemunho e inspirando pessoas por meio de sua vivência. Para ele, a arte segue sendo um instrumento essencial de fé e transformação social. “A arte tem o poder de atravessar fronteiras e tocar realidades onde palavras muitas vezes não chegam. Quando usada com propósito, ela se torna uma ponte de esperança”, destaca.
Reconhecido internacionalmente, Alexandre é Embaixador Honorário da American Diplomatic Mission of International Relations e Embaixador da Paz. Sua trajetória é vista como referência de compromisso humanitário, reforçando a importância da compaixão e da ação concreta em um mundo marcado por profundas desigualdades.
Sua vida e trabalho são um testemunho poderoso de que, por meio da fé e do comprometimento social, é possível transformar vidas e espalhar esperança em todo o mundo.
Entrevista | Alexandre Canhoni
Você teve um início de carreira como Paquito no programa Xou da Xuxa. De que forma essa experiência influenciou sua trajetória artística e sua visão sobre o entretenimento?
Minha experiência como cantor no grupo Paquitos foi um marco muito importante na minha vida. Antes disso, eu já tinha contato com a música, atuando como baterista e também trabalhando nos bastidores da televisão em Minas Gerais. No entanto, chegar à maior emissora de TV do Brasil naquele período me conectou com grandes profissionais e ampliou minha visão sobre comunicação e alcance artístico. Trabalhar na televisão me ensinou a importância de criar conexão com o público e de utilizar essa plataforma como ferramenta de inspiração. Essa vivência despertou em mim o desejo de continuar usando a arte, não apenas para realização pessoal, mas como um meio de impactar positivamente a vida das pessoas, unindo espiritualidade, entretenimento e causas sociais.
Em 2001, você se casou com Giovana Canhoni. De que maneira o casamento influenciou sua vida pessoal e profissional ao longo dos anos?
Casar com Giovana em 2001 foi um momento profundamente transformador. Nossa união fortaleceu minha vida pessoal e me deu uma parceira que compartilha o mesmo propósito de servir e impactar comunidades. Caminhamos juntos em nossos projetos, sonhos e decisões, sempre buscando direcionamento espiritual. Esse apoio mútuo foi essencial para que eu pudesse desenvolver meu trabalho com mais equilíbrio, clareza e compromisso, tanto no âmbito familiar quanto profissional.
Você é fundador da ONG AGD Níger e atua de forma intensa em causas humanitárias na África. O que o motivou a se dedicar a esse trabalho social?
O que me inspirou a fundar a ONG AGD no Níger foram as histórias que vi e ouvi de crianças vivendo em situações extremas de vulnerabilidade. Desde o início, compreendi que se tratava de uma missão de resgate que vai além do aspecto físico — é também espiritual e humano. Essas crianças têm um potencial imenso, e sinto que é meu dever, como cristão, missionário e ser humano, oferecer esperança, educação e a possibilidade de um futuro melhor. A união entre ação social e espiritualidade é a base de tudo o que realizamos. Vale destacar que o instituto também é registrado no Brasil, onde desenvolvemos ações emergenciais e mobilizamos recursos para manter e expandir esse trabalho.
Ao longo de sua carreira, quais foram os maiores desafios ao integrar arte, fé e ação social?
Integrar arte, fé e ação social foi um processo desafiador. A transição entre o entretenimento e o trabalho social não aconteceu de forma simples e, em muitos momentos, exigiu equilíbrio e perseverança. Houve resistência e questionamentos, especialmente por se tratar de áreas que, para muitos, não costumam caminhar juntas. No entanto, a fé sempre foi um alicerce fundamental nesse processo. Cada obstáculo enfrentado acabou se tornando uma oportunidade de crescimento, aprendizado e fortalecimento do propósito de transformar vidas por meio da arte e do serviço.
Como foi a transição de uma carreira no entretenimento para funções mais sociais e espirituais, como capelão e palestrante?
A transição de Paquito para missionário, capelão e palestrante foi guiada pela convicção de que minha missão ia além dos palcos. Ao longo do tempo, o contato direto com o sofrimento humano e com as necessidades de diferentes comunidades despertou em mim um chamado mais profundo para o serviço. A espiritualidade sempre norteou esse caminho, permitindo que eu enxergasse cada pessoa como um filho de Deus, digno de amor, cuidado e apoio. Esse entendimento passou a direcionar todas as áreas da minha atuação.
Você já esteve em mais de 80 países. Há algum momento marcante em que seu testemunho tenha causado um impacto profundo em uma comunidade?
Foram muitos momentos marcantes, mas alguns permanecem de forma muito especial na minha memória. Um deles aconteceu em um projeto na África, quando tive a oportunidade de cantar para crianças cegas. Ver a alegria no rosto de cada uma delas ao perceber o som das cordas e dançar de forma livre foi uma experiência profundamente transformadora. Outro momento inesquecível ocorreu na Coreia do Sul, onde conheci comunidades que se reúnem para orar durante as madrugadas. Ali, pude compartilhar meu testemunho de transformação em Cristo e presenciar pessoas chorando de alegria enquanto louvavam a Deus.
A música sempre foi uma ponte nesse processo. Ao longo da minha trajetória, compus canções em diversos idiomas, como português, francês, espanhol, italiano, alemão, coreano, dialetos africanos e hebraico. São músicas que falam sobre espiritualidade, amor e esperança, capazes de ultrapassar barreiras culturais e linguísticas.
Quais são os principais objetivos de seus projetos para o futuro e como pretende ampliar o alcance das iniciativas humanitárias que lidera?
Olhando para o futuro, meu objetivo é expandir as iniciativas da ONG AGD, firmando parcerias com outras organizações e inspirando mais pessoas a se envolverem. Quero continuar servindo comunidades em situação de vulnerabilidade e mostrar que cada indivíduo pode ser um agente de transformação. Acredito que, juntos, podemos construir um mundo mais justo e igualitário, fundamentado na fé e no amor ao próximo.
De que forma sua formação acadêmica em teologia e missiologia influencia sua missão e práticas de trabalho social?
Minha formação em teologia e missiologia tem sido fundamental para orientar minha vida e meu trabalho. Esses conhecimentos me permitem compreender melhor as necessidades espirituais e emocionais das comunidades que atendemos. Viver em comunhão com Deus me guia a praticar uma liderança servidora, buscando sempre agir conforme Sua vontade em cada iniciativa que realizo. Essa base espiritual fortalece todas as ações da ONG e orienta a forma como impactamos vidas.
Você tem recebido reconhecimento em diversas áreas, incluindo atuação internacional como Embaixador. O que essa honra significa para você e seu trabalho?
Ser reconhecido como Embaixador é uma grande honra e também um incentivo para continuar meu trabalho. Esse reconhecimento valida a ideia de que podemos ser instrumentos de transformação em nível global e serve como lembrete constante da responsabilidade que todos temos de promover a paz, a justiça e a equidade. Acredito que cada ação, por menor que seja, tem o poder de impactar vidas e aproximar as pessoas de Deus.
Que conselho você daria para jovens que desejam seguir carreira nas artes ou em ações sociais e humanitárias?
Para os jovens que aspiram a atuar nas artes ou no serviço social, meu conselho é: nunca subestimem o poder de sua voz e de suas ações. Deixem que a espiritualidade guie seus passos, envolvam-se com a comunidade, ouçam atentamente às necessidades das pessoas e mantenham uma relação profunda com Deus. Com paixão, comprometimento e propósito, qualquer um pode se tornar um agente de transformação e esperança.