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Ilana Hazan: aos 60 anos, atriz reinventa a própria trajetória entre palcos, recomeços e novos horizontes

Ilana Hazan nunca acreditou em caminhos lineares. Aos 60 anos, a atriz, cantora e educadora olha para a própria trajetória sem nostalgia e com um olhar decidido para o futuro. A arte sempre foi seu destino — mas a vida, como ela mesma define, foi uma construção feita de curvas, recomeços e coragem.

“Eu nunca fui uma criança comum. Meus pensamentos já eram diferentes, e as artes eram minhas melhores amigas”, relembra Ilana.

Desde cedo, a vocação artística se impôs. Ainda menina, fez um acordo com a mãe, Rosita Hazan, sua maior incentivadora: frequentaria a escola pela manhã e dedicaria as tardes à formação artística. Balé, música, teatro, canto, violão e artes manuais passaram a fazer parte da rotina. Do pai, vieram as enciclopédias e livros que despertaram o prazer de criar e experimentar.

A música surgiu como um chamado definitivo aos sete anos, quando o piano entrou em sua vida. Mais tarde, Ilana ingressou na Escola de Música Villa-Lobos, incentivada pelo percussionista Nido Pedrosa, pai de sua filha, com quem viveu por 15 anos. Foi ali que teve a confirmação de seu caminho — e também o convite para ensinar.

“Era como se a vida dissesse o tempo todo: ‘é isso!’”, conta.

Dos musicais às novelas que marcaram época

Aos 19 anos, Ilana tomou uma decisão considerada ousada: deixou o ensino médio para estrear no musical Verde Que Te Quero Ver, ao lado de nomes como Maurício Mattar, Roney Villela e Cláudio Lins. A escolha abriu as portas para uma carreira sólida no teatro e na televisão.

Ilana Hazan foi Tatiana em “Kananga do Japão” e em “Ana Raio É Ze Trovão” no papel de Adelaide na Tv Manchete

Ilana Hazan na novela “Barriga de Aluguel” na TV Globo e a Viúva de “Torre de Babel” da Record TV

Ela integrou o elenco de produções marcantes como Kananga do Japão, A História de Ana Raio e Zé Trovão, Vamp, Barriga de Aluguel, Chocolate com Pimenta, Lua Cheia de Amor e Mico Preto. No humor, participou de Trapa Hotel, transitando com naturalidade entre o drama, o popular e o musical.

Paralelamente, aprofundou sua formação em balé clássico, jazz e sapateado. “O artista precisa estar pronto para qualquer teste”, afirma.

Identidade, música e pertencimento

Ao longo da carreira, Ilana também construiu momentos simbólicos. Cantou para Martinho da Vila no palco da Hebraica Rio, interpretando uma música que havia recebido do artista ainda nos anos 1980. Décadas depois, emocionou equipes da TV Record ao atuar em Gênesis e Rainha da Pérsia, onde cantou em hebraico.

Ilana Hazan interpretou uma viúva seguidora de Semíramis na fase da Torre de Babel na Novela “Genesis” e fez uma participação cantando no episódio da Festa do Purim em “A Rainha da Pérsia” ao lado da atriz Natália Florentino na Record TV

“Ali eu estava em casa. Me senti parte deles”, relembra.

A maternidade chegou aos 30 anos. Hoje, Ilana celebra a relação com a filha Amanda, bióloga marinha e mestre em Ciências da Sustentabilidade, que vive fora do Brasil. Mesmo grávida, Ilana não interrompeu a carreira: gravou a canção Filha, presente do compositor Mu Carvalho.

Ilana Hazan soltando a voz no palco com George Israel

Pandemia, divórcio e reinvenção

Em 2020, a pandemia interrompeu projetos culturais e fechou teatros. Ao mesmo tempo, Ilana enfrentava o fim de um casamento de 12 anos. Sem reservas financeiras e sem diploma formal, precisou encontrar uma saída imediata.

Resgatando habilidades aprendidas na infância — quando ajudava na confecção da mãe — passou a produzir máscaras de proteção em tecido 3D. Foram cerca de cinco mil unidades vendidas, gerando aproximadamente R$ 50 mil em faturamento.

“Se eu não tivesse tomado aquela atitude, talvez estivesse tocando violão debaixo da ponte”, afirma, sem rodeios.

Mesmo em meio ao divórcio, um convite do amigo Alex Cohen para cantar em uma apresentação no condomínio onde morava marcou um momento de virada.

“Eu estava com lágrimas nos olhos, mas quando ele chamou meu nome, tudo de ruim desapareceu. Subi ao palco feliz por fazer uma das coisas que eu mais amo: cantar.”

Um novo palco: o mercado imobiliário

Em 2022, com o apoio da filha, Ilana concluiu o ensino médio no mesmo colégio que havia deixado mais de 40 anos antes. No mesmo período, estreou em uma nova área: tornou-se corretora de imóveis.

Hoje, integra a equipe da Lopes Península, transformando sua experiência artística em diferencial profissional. Comunicativa e segura diante das câmeras, vê semelhanças entre o palco e a corretagem.

Para fazer um gol, basta aparecer o terreno certo. Pode demorar, mas ele vem”, compara.

Generosa, divide comissões, incentiva mulheres iniciantes e defende que a profissão não tem idade.

“Podem me chamar de velha. Não me importa. A vida começa todos os dias — aos 60, 70 ou 80.”

A arte permanece

Mesmo com novos projetos, a arte nunca saiu de cena. Ilana segue ensinando música para crianças e adultos. Muitas alunas, segundo ela, choram ao cantar, libertando emoções guardadas por anos.

“Mexer com emoções retidas é simplesmente o máximo.”

Atualmente, ela escreve histórias infantis, avalia convites para o cinema e sonha com um programa dedicado às artes, unindo música, educação e inclusão.

“A maturidade me deu o direito e o orgulho de ser tudo o que já fui e tudo o que posso ser.”

Aos 60 anos, Ilana Hazan não pede espaço.
Ela ocupa.
Não se explica.
Ela segue — e encanta.

ENTREVISTA:

RMBQuando você percebeu, ainda criança, que a música não seria apenas um hobby, mas um destino?

IH Quando aprendi a ler partitura cantando o nome das notas, mais tarde descobri que aquilo tinha nome: solfejo e hoje, essa mesma linguagem estrutura o meu trabalho e a forma como ensino música.

RMB – Como foi tomar a decisão de abandonar a escola aos 19 anos para seguir a carreira artística?

IH A escola nunca foi um território de pertencimento A arte sempre foi quando surgiu um convite profissional, entendi que era hora de escolher. Não foi uma ruptura — foi um deslocamento natural para onde eu já vivia internamente.

RMB Qual trabalho marcou mais profundamente sua trajetória na televisão?

IH Cada trabalho construiu uma camada diferente de quem eu sou, a televisão me ofereceu personagens complexos, diretores exigentes e um tempo criativo muito fértil. Foi um período de intenso aprendizado e realização.

RMB O que aprendeu ao dividir o palco com Dercy Gonçalves?

IHAprendi que autenticidade é força ser inteira, sem pedir licença, é um ato de liberdade artística.

RMBDe que forma a pandemia de 2020 impactou sua identidade como artista e como mulher?

IH A pandemia exigiu reinvenção, foi um tempo de silêncio externo e movimento interno, em que precisei reconstruir minha autonomia e redefinir o que significava sustentar a própria vida.

RMB – O que significou, emocionalmente, costurar máscaras para sobreviver?

IH Significou atravessar uma ponte, usar o que eu sabia fazer para seguir em frente, com dignidade, enquanto o próximo capítulo ainda estava sendo escrito.

RMB – Voltar à escola depois de tantos anos teve mais peso simbólico ou prático?

IH Voltar a estudar foi um resgate, voltei a me sentir estudante, voltei a me sentir alguém importante. Foi o momento em que agarrei minha vida nas mãos outra vez e recuperei o que havia ficado para trás o diploma veio como consequência. O essencial foi estar de pé novamente.

RMB – Como surgiu a ideia de migrar para o mercado imobiliário?

IHChegou um momento em que eu precisava de uma profissão prática, onde pudesse usar minha experiência, meu repertório humano e minha capacidade de comunicação. Queria algo que dialogasse com meu netwoorking e com o prazer que sempre tive em me relacionar com pessoas. O mercado imobiliário me ofereceu isso e a possibilidade de crescer, construir e prosperar com autonomia e hoje, estou muito feliz com a forma como trabalho e com o ambiente profissional que escolhi.

RMB – Que habilidades da vida artística você aplica hoje na corretagem de imóveis?

IH Trago para a corretagem a naturalidade diante da câmera, o domínio da comunicação e a tranquilidade para apresentar espaços com clareza. Tenho facilidade em memorizar metragens, conduzir narrativas e criar conexão com as pessoas. A ausência de timidez, nesse caso, é uma aliada aproxima, gera confiança e acelera decisões.

RMB – Por que decidiu atuar com terrenos, um nicho tão específico?

IH – Não se trata de uma especialização tradicional, mas de relações, tenho parceiros que me confiam terrenos e me permitem fazer o que sei melhor: conectar proprietários a incorporadores e construtores certos. Meu trabalho está em criar o encontro adequado, com diálogo direto e interesses alinhados. É menos sobre o produto isolado e mais sobre entregar soluções.

Capa: @ilanahazanoficial

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Fotos: @espacoum91_foto

CEO e Jornalista Responsável: @oscarmulleroficial

Oscar Muller

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1 Comment

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    Davis2147

    31 de Dezembro, 2025

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