Vera Fischer é sinônimo de beleza, carisma e talento. Com mais de 55 anos de carreira, que começou com a atuação no cinema e teatro, e ganhou destaque na televisão a partir de 1977, com a novela “Espelho Mágico”. A atriz foi Miss Brasil em 1969, aos 17 anos, e desde então construiu uma trajetória de sucesso em diferentes formatos.

A atriz que é um ícone da teledramaturgia brasileira, com mais de 30 novelas e séries no currículo, fez papéis de destaque, como a protagonista Helena em “Laços de Família” e atuou em obras como “O Clone”, “Senhora do Destino” e “Salve Jorge”.
Atualmente está em cartaz com o espetáculo “O Casal Mais Sexy da América”, que retrata o reencontro de dois astros de TV, interpretados por Vera Fischer e Leonardo Franco, que foram o “casal mais sexy da América”, na sua série de sucesso, a igualdade de gênero e o assédio sexual, através do ponto de vista desses atores veteranos.

A trama explora as dificuldades que os atores mais velhos enfrentam para encontrar trabalho, a perda do brilho da juventude e a dificuldade de aceitação na indústria do entretenimento, especialmente para as mulheres.

A montagem que também conta com Vitor Thiré no papel do Boy do Hotel, que representa o mundo digital e serve como contraponto geracional aos protagonistas, convidando o público a refletir sobre o envelhecimento e a não desistir da vida, da felicidade e de uma vida sexual ativa, mesmo após os 60 anos.

Entrevista:
RMB – São mais de 50 anos de carreira. Como você avalia toda sua trajetória?
Vera – Eu creio que eu fiz um pouco de tudo. Na verdade, eu comecei pelo contrário da maioria das atrizes. Eu comecei fazendo cinema, depois que eu fiz televisão e depois eu fui fazer teatro. Normalmente as pessoas fazem o contrário. Eu acho que foi uma trajetória muito rica, muito bonita. No início, nos primeiros cinco anos onde eu fazia filmes e programas de TV, eu não me sentia atriz. Eu não me considerava atriz. A partir dos 25 anos onde eu fiz um filme chamado Intimidade, onde eu ganhei o prêmio PCA, ganhei o prêmio Air France, ganhei alguns prêmios com esse filme. É um filme dirigido por um inglês chamado Michael Sarn. Aí eu realmente vi que eu era uma atriz. E dali pra frente eu levei isso a sério, não apenas como uma profissão pra você conseguir um dinheiro pra pagar suas contas. Ali estava uma consciência de que esta era a minha profissão e era isso que eu queria fazer. Então, eu acho que eu tive uma trajetória linda e continuo tendo.
RMB – Você sempre foi muito transparente em sua entrevista.Qual o preço que já precisou pagar pela sua verdade?
Vera – Sempre fui verdadeira. Eu não gosto de mentir, porque eu acho que quando você mente ou você omite alguma coisa, que você acha que foi desagradável, ou as pessoas vão acabar descobrindo e vão acabar fazendo disso um pandemônio. Mesmo eu falando a verdade, as pessoas ainda questionam. E as pessoas inventam. Antigamente, quando não tinha internet, tinha imprensa. Eles inventavam milhões de coisas, muito mais do que hoje, até porque você não tinha como se defender. Hoje em dia, eu tenho o meu Instagram, eu tenho as minhas redes, onde eu falo a verdade, onde eu estou lá falando o que é a minha verdade. Mas eu não me importo porque eu só falo a verdade mesmo, vou continuar falando.

RMB – O seu melhor momento é o agora? Ou sente falta de algo que viveu no passado?
Vera – Eu acho que a cada dia que eu acordo é sempre o meu melhor dia. Eu vivi os 20, os 30, os 40, os 50, os 60 e agora estou vivendo os 70. É outra forma de você viver melhor. Eu gosto muito, muito mesmo de fazer o meu trabalho com muita alegria, muita energia. Eu amo falar com o público, eu sinto que estou fazendo um trabalho de qualidade. Isso me dá muito prazer. Eu não gosto de ficar parada. Claro que, obviamente, de vez em quando você precisa de umas férias, porque senão ninguém aguenta. Mas o mais especial é isso, é eu estar em cima do palco, é eu estar com os meus filhos, conversando, jantando, passeando, ou eu estar com os meus amigos em qualquer lugar e conversando também, assistindo filmes, assistindo peças de teatro, assistindo balés no Municipal. Gosto muito de ficar sozinha em casa, muito. Eu gosto muito de ficar em silêncio, lendo os meus livros, fazendo a minha comidinha, fazendo carinho nos meus gatos. Olha, esse é o melhor momento da vida, porque você tem sossego.
RMB – Você pensa em fazer novas personagens diferentes? O que você fez? Repetiria alguma de sucesso?
Vera – Olha, por mais que a gente faça personagens emblemáticos, personagens profundos ou engraçados, sempre falta alguma coisa. Então, não necessariamente um personagem que eu possa definir aqui, mas faltam fazer personagens, muitos. E apesar da minha idade, já quase no 74, eu acho que eu tenho muita energia ainda para fazer personagens importantes daqui para frente. Coisa que eu espero que aconteça. Creio que eu não repetiria nenhum personagem. Eu acho que eles foram feitos com tanta intensidade. Eu sempre me jogo tanto nos personagens.

RMB – Você é uma mulher que virou referência de beleza. O que a beleza significa pra você?
Vera – Eu gosto da beleza, eu gosto de olhar as coisas que são bonitas. Eu vejo, eu transformo uma coisa em uma coisa bonita quando eu olho, seja nas pessoas, seja nas coisas, seja nos animais, nos objetos, nas plantas, na arquitetura, nos filmes, nas peças, no mundo. Eu acho que a beleza vem de dentro de nós. E isto faz com que você aparente uma pessoa mais jovem, mais cheia de energia e mais bonita. Porque o que nós carregamos dentro de nós é que flui, é o que as pessoas realmente veem. Porque a casca, a casca é só uma casca. A casca envelhece, ela fica feia, as pessoas mexem muito em si mesmas, fazem um físico diferente, elas se transformam em outras pessoas, porque elas acham que a beleza está no externo, E não é. É no interior. Então, vai ser assim para o resto da minha vida.
RMB – Hoje em dia você se sente uma mulher realizada?
Vera – Sinto-me bastante realizada, mas ainda quero realizar muitas coisas, pois tenho muita energia, mesmo com alguns probleminhas físicos, que vieram depois dos 60, mas a gente contrabalança, a gente faz um pouco de fisioterapia, um pouco de pilates, dá tudo certo. Eu procuro me preservar de pessoas que não me fazem bem e que até pessoas que existiram no meu passado, que eu fui saindo de perto dessas pessoas, me afastando, porque não me faziam bem. Mas o mais importante é que eu realmente eu gosto de mim, eu gosto das minhas atitudes, eu gosto dos meus trabalhos, eu gosto do amor que eu sinto pelos meus amigos, que são amigos de verdade, eu gosto dos meus filhos, dos meus gatinhos, eu gosto das minhas plantas, eu gosto da minha vida que agora ficou muito mais sossegada do que era antigamente e isso faz parte.

RMB – Você está em cartaz com o espetáculo O casal mais sexy da América. Sobre o que se trata a peça?
Vera – Essa peça fala de dois atores que atualmente tem mais de 60 anos, atores que fizeram sucesso nos anos 90, sucesso extraordinário, tanto que eles foram chamados de o casal mais sexy da América, porque tinha um programa de televisão muito famoso. Esse casal se encontra 30 anos depois e eles recordam toda a sua vida e também há um pedaço sobre assédio sexual, onde em que nos anos 90 não se falava sobre isso eu acho que as pessoas começaram a falar sobre isso depois do movimento Me Too, que foi em outubro de 2017 a partir dali as pessoas as mulheres, os homens começaram a falar sobre isso sobre esses assédios. Não foram só sexuais, foram psicológicos, etc. E aí, muita gente foi cancelada, muita gente foi presa. E a peça toca muito sobre isso. É um momento muito delicado da minha personagem.. As pessoas falam que bom, porque isso traz esperança para a gente. A gente pode agora falar com o outro, se abrir e não ter mais vergonha nem do próprio corpo, porque as pessoas de 60 anos, 70 anos, têm vergonha do próprio corpo na hora de fazer o sexo, apagam a luz, não precisa mais. Então, tudo isso é falado nessa peça. Então, é uma peça muito importante para mim como atriz e é importante para o público que se enxerga em muitos momentos da peça. A peça é feita comigo, com Victor Thierry e o Leonardo Franco, direção de Tadeu Aguiar. É uma peça que está dando muito certo e nós ainda vamos rodar com ela pelo Brasil afora, talvez até o ano que vem. Está me dando muita felicidade.

RMB – Como você vê o etarismo hoje em dia?
Vera – Antigamente, Helena tinha 50 anos e era mãe. Hoje, é uma avó e a mãe tem 20. Tudo mudou muito. Temos que ter a cara que temos, da nossa idade, nada de querer ter 30 anos. Quero parecer ter 73 mesmo. Na peça, falamos muito sobre etarismo. São atores que faziam sucesso jovens, e com 70 o cenário é outro, Para mulher é mais complicado. Tem muito ator, uma atriz, que precisa trabalhar. Tem gente que não encontra um papel muito bom para fazer no teatro por conta do etarismo. O “culto à juventude” limita o trabalho de atores mais velhos: “O cinema também é problemático […] A visão dos produtores de elenco e a visão até mesmo dos executivos da televisão é um pouco deturpada nesse aspecto”
RMB – E hoje, como é a Vera em 2025, com os procedimentos estéticos?
Vera – Cuido-me bastante, mas não sou exagerada. Faço fisioterapia, porque tenho um problema nos joelhos de tanto cair no chão no teatro, mas não vou à academia. E cuido da pele com bons produtos indicados pelo meu dermatologista o doutor Vitor Bechara, ele me indica cremes que tem que lavar muito bem o rosto, quando tira maquiagem, lavar com sabonete neutro e jogar termal no rosto leva um certo tempinho, na verdade, para fazer isso. Mas também nunca fiz nenhuma coisa invasiva no meu rosto, nada. Eu trato mais com cremes e com limpeza e é isso eu acho que no meu caso eu não me sinto bem não me sentiria bem com outro tipo de rosto com cirurgias estéticas como as pessoas fazem, eu prefiro ser como eu sou, eu gosto de me olhar no espelho e me ver como eu sou.
Capa: @verafischeroficial
Fotos: Patricia Lino @callanga
Assessoria: JC Assessoria de Imprensa @julycaldas
CEO e Fundador : @oscarmulleroficial
Instagram Oficial: @revistamaisbonitaoficial

