Vannessa revisita personagens marcantes, fala sobre maternidade e revela sua visão sobre a arte
BY Oscar Muller
7 de Novembro, 2026
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Atriz relembra o reconhecimento de Manoel Carlos, reflete sobre os desafios da profissão e compartilha experiências pessoais que influenciaram sua trajetória
Com uma carreira construída na televisão, no teatro e no cinema, Vannessa reúne personagens marcantes e experiências que ultrapassam os limites da atuação. Entre as lembranças que guarda com carinho está a Lindinha, de O Cravo e a Rosa, papel que considera um divisor de águas em sua trajetória artística. Agora, com a estreia de Confissões de Adolescente, a atriz vive mais um momento de sua carreira, enquanto segue explorando diferentes possibilidades de expressão e refletindo sobre o papel da arte na sociedade.
Ao recordar sua trajetória na televisão, Vannessa também destaca o reconhecimento recebido de Manoel Carlos, autor com quem trabalhou em Mulheres Apaixonadas e, dez anos depois, em Em Família. Embora não tenham construído uma amizade íntima, ela guarda com emoção as demonstrações de carinho e incentivo do dramaturgo.
“Eu e o Maneco nunca fomos amigos íntimos. Interagimos quando fiz Mulheres Apaixonadas e ele, muito generosamente, enviava mensagens de incentivo, de gratidão. Dez anos depois, ele me chamou para fazer uma nova personagem na novela Em Família”, conta.
Um episódio, em particular, ficou marcado em sua memória. Durante uma entrevista, Manoel Carlos elogiou publicamente seu trabalho de maneira inesperada. “Ele me achava uma das melhores atrizes do mundo. Aquilo me emocionou profundamente”, relembra.
O autor da novela ” Em Família” Manoel Carlos com Vannessa que interpretou “Juliana“
Entre os personagens que interpretou, Lindinha ocupa um lugar especial. Por ter sido sua primeira personagem na televisão, ela representa o início de uma trajetória que abriria portas para novas oportunidades. Na novela O Cravo e a Rosa, a personagem conquistou espaço com uma combinação de humor, sensualidade, ingenuidade e malícia.
“Ela tinha humor, sensualidade, graça, uma coisa meio pateta, ingênua por trás da maldade e, ao mesmo tempo, muita vida. Tudo isso dentro de uma novela também muito graciosa e emocionante”, afirma.
Vannessa interpretou “Lindinha” em “O Cravo e a Rosa“
Mais do que a oportunidade de interpretar personagens diferentes, Vannessa busca projetos que tenham algo a acrescentar ao público. Para ela, a arte precisa dialogar com o presente e provocar reflexões, independentemente da época em que uma história se passa.
“Gosto de pegar personagens com os quais eu me sinta transmitindo informações que sirvam de reflexão para a audiência. Personagens que possam fazer o público se identificar, se divertir e se emocionar também”, explica. Por isso, trabalhos que não oferecem essa possibilidade de troca acabam despertando menos seu interesse.
Essa visão também orienta sua percepção sobre o mercado audiovisual e a crescente importância atribuída aos números nas redes sociais durante a contratação de artistas. Vanessa considera equivocado transformar a quantidade de seguidores em um parâmetro para avaliar a capacidade de um ator.
“Não são os seguidores que interpretam a cena. Não é a habilidade que a pessoa tem de se autopromover que vai fazê-la desempenhar melhor ou pior um papel”, observa.
Para ela, a popularidade pode despertar o interesse inicial por uma produção, mas não é suficiente para sustentar seu sucesso.
“O que a torna especial é a qualidade humana contida nela. Se não for boa, não sustenta um sucesso.”
Espiritualidade e busca pelo conhecimento
A busca por compreensão também se manifesta na relação de Vanessa com a espiritualidade. Ao longo da carreira, a atriz interpretou personagens bíblicos na série Reis, da Record TV, e participou de uma produção com temática espírita. Sua relação com o tema, no entanto, vai além das experiências profissionais.
” Sempre fui espiritualizada, no sentido da busca pelo imaterial. Não sou apaixonada pelos fenômenos e detesto dogmas, mas creio em uma existência contínua”, afirma.
Interessada em metafísica, ela procura compreender tanto o funcionamento do universo quanto os mecanismos da própria consciência. Seus estudos passam por diferentes tradições e correntes de pensamento, entre elas espiritismo, budismo, hinduísmo e esoterismo. “Estudo espiritismo, budismo, hinduísmo, esoterismo, de tudo um pouco. Em todas essas áreas encontramos correspondências surpreendentes”, diz.
A mulher como tema de sua arte
Além da atuação, Vanessa desenvolve um trabalho visual que, atualmente, tem como eixo as questões femininas e os silêncios historicamente impostos às mulheres. Em suas obras, ela investiga os lugares simbólicos em que a figura feminina ganha destaque em uma sociedade tradicionalmente masculina, como o altar e os concursos de beleza.
“Venho representando, com alguma ironia e dor, a mulher nos poucos momentos em que ela ganha o palco num mundo estritamente masculino: no altar ou nos concursos de beleza”, explica.
A figura da noiva, em particular, desperta seu interesse pela combinação de beleza e inocência idealizada que carrega. A pesquisa artística também se desdobra em performances: durante a abertura de sua exposição, Vannessa realiza um show vestida de noiva. Foi nesse contexto que pediu, nas redes sociais, a doação de vestidos para seu trabalho. A iniciativa acabou rendendo algumas peças.
Entre o cinema e os afetos familiares
No cinema, Vannessa também participou de Perto do Sol é Mais Claro, projeto realizado em família e protagonizado por Reginaldo Faria. Segundo a atriz, a proposta nasceu do desejo de Régis Faria, filho primogênito do ator, de apresentar ao público uma perspectiva mais íntima e afetiva sobre o pai. Ela conta que Régis queria mostrar Reginaldo a partir das qualidades que sempre enxergou nele: a sabedoria, a resiliência, o talento como compositor e músico e sua generosidade como pai.
“É um filme lindo, feito totalmente em família”, define.
A produção mistura ficção e realidade, construindo uma narrativa que, segundo Vannessa, combina humor e emoção. Na história, ela interpreta uma nova namorada do personagem de Reginaldo, que começa o filme recém-viúvo da mãe de seus filhos.
Com esse trabalho, Vannessa recebeu em Lisboa o prêmio de melhor atriz na 17ª edição do FESTIn, maior festival internacional de língua portuguesa, pela sua atuação no filme.
“Venho representando, com alguma ironia e dor, a mulher nos poucos momentos em que costumava ganhar protagonismo num mundo estritamente masculino, no altar e nos concursos de beleza.” declara
Fora das telas, é a maternidade que ocupa um lugar central em suas reflexões. Vannessa atribui a qualidade da relação com o filho à disposição permanente para o diálogo e à construção de um ambiente em que sentimentos possam ser expressos sem medo de julgamentos.
“Meu filho e eu temos uma relação pautada por muita conversa. Gostamos de conversar um com o outro desde que ele é pequeno”, conta.
Para ela, a escuta e a ausência de agressividade foram fundamentais, inclusive durante as fases mais difíceis da adolescência.
Mesmo nos momentos de conflito, Vannessa fez questão de preservar uma certeza: o amor e o apoio maternos não estavam em discussão.
“Podíamos brigar e ele até ficar de castigo, mas do meu amor e do meu apoio incondicional ele nunca duvidou”, afirma.
A maternidade também a levou a olhar para si mesma com mais profundidade. O desejo de manter uma relação saudável com o filho se tornou um incentivo para enfrentar suas próprias dores, limitações e medos.
“Ainda estou longe de estar plenamente resolvida, mas a tentativa de ser um ser humano melhor me norteia, e isso já é uma grande coisa“, reflete.
Autocuidado e equilíbrio depois dos 50
Aos 53 anos, Vannessa também fala sobre a importância de cuidar da saúde e de manter uma relação consciente com o próprio corpo. Ela conta que começou a investir nos cuidados pessoais ainda jovem e que, atualmente, conta com profissionais de diferentes áreas para acompanhar as transformações dessa fase da vida.
“Comecei a me cuidar bem cedo, e isso faz muita diferença. Também cuido da pele e do corpo com profissionais maravilhosos”, diz.
Recentemente, passou a buscar um acompanhamento integrado, envolvendo nutrição, endocrinologia e ginecologia.
Para a atriz, a chegada dos 53 anos traz mudanças que exigem atenção não apenas física, mas também emocional. A meditação e a ioga fazem parte de sua busca por equilíbrio.