A história da empreendedora Georgia Bezerra é marcada por coragem, resiliência e um forte senso de propósito. Natural do Espírito Santo, no Brasil, ela deixou o país ainda jovem e construiu sua vida em Portugal, onde hoje se destaca no setor de confeitaria com a marca Georgia Brigadeiros.

Aos 31 anos, Geórgia relembra que o espírito empreendedor sempre fez parte da sua essência.
“Comecei aos 16 anos a vender produtos cosméticos de revista, mesmo estudando o dia inteiro. Sempre procurei formas de gerar renda e construir algo meu”, conta.
Anos mais tarde, ao lado do marido, Ricardo Bezerra — a quem define como parceiro de vida e braço direito nos negócios —, deu início ao primeiro empreendimento estruturado do casal, atuando em uma multinacional americana, onde cresceram até se tornarem distribuidores e representantes da marca em território português.

No entanto, um episódio inesperado mudou completamente o rumo da sua trajetória. Um acidente doméstico resultou no rompimento do ligamento do pé direito, deixando Geórgia temporariamente incapacitada de trabalhar.
“Fiquei fisicamente limitada, deixei de conseguir produzir como antes e acabei por entrar em depressão. Foi um período muito difícil, em que cheguei a não ver saída”, relembra.
Foi em meio a esse cenário que surgiu a ideia que daria origem ao seu atual negócio. Em um momento de reflexão sobre propósito, Geórgia recordou uma pergunta feita pelo marido: “O que você faria se perdêssemos tudo?” A resposta veio de forma simples, mas carregada de significado: “Eu venderia brigadeiros.”


Determinada a recomeçar, ela decidiu dar o primeiro passo, mesmo diante do medo e da insegurança. Com a ajuda da mãe, Dona Rose, que preparou os primeiros doces, Geórgia saiu para vender caixas de brigadeiros de porta em porta.
“Demorei duas horas para conseguir sair de casa, pela falta de coragem mas fui”, relata.
O que começou de forma tímida transformou-se em um negócio sólido e em expansão. Atualmente, a Georgia Brigadeiros conta com quatro quiosques localizados em centros comerciais de Lisboa — Colombo, UBBO Amadora, Alegro Sintra e Oeiras Parque — e já se prepara para inaugurar uma nova unidade em Almada, que contará com fábrica e ponto de venda.


Além disso, a empresária revela que a marca está prestes a dar mais um passo importante: a expansão por meio de franquias.
“Criámos a Georgia Brigadeiros com a missão de adoçar caminhos. E acredito que a minha história pode levar uma mensagem forte sobre recomeço, fé, coragem e empreendedorismo real”, afirma.
A trajetória de Georgia Bezerra reforça que, mesmo diante das adversidades, é possível transformar desafios em oportunidades e construir um novo caminho com determinação e propósito.

Entrevista:
RMB – Geórgia, você começou a empreender muito jovem. De onde veio esse espírito empreendedor e o que te motivava naquela época?
Georgia – Desde muito nova eu sempre tive vontade de fazer acontecer. Acho que esse espírito veio muito da necessidade de independência e também de observar pessoas ao meu redor lutando pelos seus sonhos, a minha mãe, a maravilhosa dona Rose é o maior exemplo disso. Eu não queria esperar oportunidades eu as queria criar. Naquela altura, o que mais me motivava era provar para mim mesma que eu era capaz de construir algo meu.
RMB – Como foi a experiência de atuar em uma multinacional americana e se tornar distribuidora da marca em Portugal? Que aprendizados esse período trouxe para a sua trajetória?
Georgia –Foi uma experiência extremamente enriquecedora. Trabalhar com uma multinacional me trouxe disciplina, visão estratégica e um padrão muito importante no qual aplico até hoje. Aprendi sobre liderança, negociação e, principalmente, sobre responsabilidade até porque quando você representa uma marca, você carrega muito mais do que um produto.


RMB – O acidente doméstico foi um momento de grande virada na sua vida. Como você lidou emocionalmente com esse período e o que te ajudou a encontrar forças para recomeçar?
Georgia – Sem dúvidas, foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. No início, foi muito duro lidar com as limitações e incertezas daquele momento. Emocionalmente precisei me reconstruir aos poucos. O que me sustentou foi a fé, o apoio da minha família e a decisão de não me entregar aquela situação. O que “me salvou” foi que mesmo naquele momento eu tinha a certeza que ainda havia propósito e isso me deu força para recomeçar.
RMB – A ideia de vender brigadeiros surgiu de uma pergunta simples, mas poderosa. Em que momento você percebeu que aquilo poderia se transformar em um negócio real?
Georgia – No começo era apenas uma forma de tentar fazer algo de me sentir útil novamente. Mas quando comecei a receber feedbacks positivos e ver as pessoas voltando para comprar mais, percebi que ali havia algo especial. O momento chave foi quando entendi que não era só um doce era uma experiência, uma conexão emocional e partir daí comecei a enxergar como negócio mesmo em pandemia fomos muito reconhecidos e em meio a tantos negócios em falência a Georgia brigadeiros só crescia.


RMB – Você menciona que sentiu medo e insegurança ao dar o primeiro passo. O que diria hoje para outras pessoas que também estão travadas pelo medo de começar?
Georgia – O medo nunca vai desaparecer completamente, ele faz parte do processo. A real é que você não precisa estar pronto para começar. Você só precisa começar. Pequenos passos já fazem uma enorme diferença. Se eu tivesse esperado o momento perfeito nada teria acontecido. Então eu diria o que em toda oportunidade digo “comece com o que você tem, como dá e onde você está”
RMB – A Georgia Brigadeiros cresceu e hoje está presente em importantes centros comerciais de Lisboa. Quais foram os maiores desafios nessa fase de expansão?
Georgia – O crescimento traz muitos desafios. Manter a qualidade, formar equipes alinhadas com a cultura da marca e lidar com a pressão operacional foram alguns dos principais. Até porque expandir não é apenas abrir novos pontos, é garantir que a essência do negócio continue a mesma em todos eles. Esse equilíbrio foi e continua sendo um grande aprendizado na Georgia Brigadeiros.
RMB – A marca está prestes a avançar para o modelo de franquias. Quais são as expectativas para essa nova etapa e o que diferencia o seu negócio no mercado?
Georgia – As expectativas são muito positivas. A franquia é uma forma de levar a marca mais longe mantendo os padrões e criando oportunidades para outros empreendedores. O que nos diferencia é a autenticidade desde o produto artesanal até a experiência que entregamos. Não vendemos apenas brigadeiros, vendemos história, afeto e conexão.

RMB – Sua história carrega uma forte mensagem de fé, recomeço e propósito. Que conselho você deixaria para mulheres que desejam empreender e transformar suas vidas?
Georgia – Eu diria que acreditem nelas mesmas, mesmo quando ninguém mais acreditar. O caminho não é fácil, mas é possível. Não deixem que o medo ou as circunstâncias definam o limite dos seus sonhos. E acima de tudo encontrem um propósito porque quando você sabe o “porque” e o “para que” você encontra forças para enfrentar qualquer coisa.
Créditos:
Capa: Georgia Bezerra
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Fotografia : Andreza Nunes
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Cabelo e maquiagem: Aline Alves
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